A Copa do Mundo colocou atletas cristãos diante dos olhos do mundo. Vimos o nome de Jesus ser proclamado quando jogadores se ajoelham para reconhecer a Deus, apontam para os céus ao marcar um gol, se reúnem para orar antes das partidas e compartilham seus testemunhos em entrevistas e nas redes sociais.
Enquanto assistimos aos jogos, vemos o que, para muitos desses atletas, representa o auge de suas carreiras. Mas você já parou para pensar na jornada que os levou até ali? Como chegaram ao maior torneio do futebol mundial e como passaram a testemunhar de Cristo?
Eles foram discipulados!
Na verdade, todo atleta está sendo discipulado. A questão não é se está sendo formado, mas por quem — e para qual propósito.
A definição de discipulado é ensinar, treinar, orientar ou mentorear alguém para que se torne seguidor de um determinado mestre ou filosofia.
Desde a infância, os jogadores são moldados pela família, pelos amigos, pelos professores, pelos treinadores, por mentores e por seus ídolos no esporte. Cada uma dessas influências carrega consigo uma cosmovisão, seja ela cristã ou não. Nossa cosmovisão — a lente por meio da qual enxergamos toda a realidade — fundamenta tudo o que fazemos.
Para o secularista, a vida é essencialmente material, apenas física. Assim, o treinamento esportivo concentra-se no desenvolvimento do corpo, tendo como objetivo maximizar o desempenho físico e alcançar o sucesso por meio da excelência atlética.
Entretanto, quando a vida é colocada sob o senhorio de Cristo, ela passa a operar segundo uma cosmovisão bíblica. Isso significa compreender toda a história de Deus: criação, queda, redenção e restauração.
Porque o ser humano foi criado à imagem de Deus, ele não é apenas um ser físico. Somos corpo, alma e espírito, e todas essas dimensões precisam ser formadas e cultivadas. E, por causa da queda, todos nós necessitamos de redenção.
O Deus Triúno é relacional, racional (há propósito e ordem em tudo o que faz) e moral. Deus é, ao mesmo tempo, justo e misericordioso. O cristão entende que toda pessoa possui valor intrínseco e um propósito profundo. Como cooperadores de Deus em Seu Reino aqui na terra, fomos chamados para glorificá-Lo em tudo o que fazemos — inclusive enquanto praticamos o maravilhoso esporte do futebol.
Essa compreensão nos oferece uma visão muito mais ampla daquilo que o discipulado no esporte pode se tornar.
O discipulado começa cedo e não é responsabilidade exclusiva dos pais.
Muito antes de chegarem à Copa do Mundo, os jogadores passam por anos de formação. Primeiro, são apresentados ao esporte: assistindo aos jogos na televisão, chutando uma bola com os pais ou irmãos, participando das aulas de educação física na escola, brincando com os amigos no recreio ou indo a uma partida local. Cada uma dessas experiências expõe a criança ao esporte, comunica aquilo que vale a pena perseguir e molda, pouco a pouco, os desejos do coração.
Depois vem o envolvimento intencional, seja em uma escolinha de futebol ou em uma equipe. Nesse ambiente, professores e treinadores constroem relacionamentos com os atletas, modelam e formam seu caráter (para o bem ou para o mal), ensinam habilidades, compreensão e as regras do jogo, cultivam disciplina e ética no trabalho, além de promoverem espírito de equipe e respeito às autoridades, aos companheiros e aos treinadores.
Assim, consciente ou inconscientemente, pais, professores e treinadores já estão discipulando crianças por meio do esporte. Quanto mais nós, como cristãos, que possuímos uma visão redimida do mundo, deveríamos abraçar essa oportunidade única de direcionar essa formação segundo os propósitos de Deus. Podemos discipular não apenas o corpo, mas também a alma e o espírito, conduzindo os jovens a uma compreensão mais ampla e completa do que significa ser humano, criado à imagem de Deus.
Ao expô-los à bondade, à verdade e à beleza do Reino, demonstrando seu valor, inspirando-os a desejá-lo e ensinando-lhes sobre ele, cultivamos neles o desejo de encontrar e conhecer Jesus, o Rei.
O apóstolo Paulo compreendia que atletas não alcançam a excelência por acaso. Eles treinam com propósito, disciplina e domínio próprio (1 Coríntios 9:24–26). Da mesma forma, atletas cristãos não desenvolvem uma fé madura por acidente.
Assim como a Copa do Mundo representa o auge de uma carreira, a conversão pode representar o ápice de um bom discipulado. Muito antes de um jogador professar publicamente sua fé, inúmeras influências já estiveram moldando quem ele é. Se essa formação estiver intencionalmente centrada em Cristo, ela naturalmente conduzirá muitos à fé salvadora e, consequentemente, a um testemunho genuíno que apontará outras pessoas para Jesus.
Se discipularmos bem, podemos esperar que a nação brasileira seja conhecida não apenas pela excelência dentro de campo, mas também pela excelência em colocar Cristo no centro de todas as coisas e viver uma vida que glorifica e honra a Deus em todos os aspectos.
Lisa Brix Monteiro

