Gênesis 24 é o capítulo mais longo do livro. E qual é o assunto deste capítulo?
Não se trata da criação, por mais importante que ela seja. Vivemos em um universo repleto de vida porque, antes da criação do mundo, Deus já existia. Ele povoou o universo com vida, que, por sua vez, tem a capacidade de se reproduzir segundo a sua espécie. O relato da criação em Gênesis 1:2-3 revela quem somos e por que estamos aqui. Isso contrasta fortemente com o universo sem alma, silencioso, vazio e sem propósito, conforme apresentado pelo evolucionismo e ensinado nas escolas.
Gênesis 24 também não trata do conceito crucial de aliança. Deus é um Deus que faz e cumpre alianças. Ele se distingue dos pequenos deuses caprichosos das divindades tribais animistas. O caráter de Deus, que estabelece leis e faz alianças, significa que vivemos em um universo ordenado e inteligível; podemos viver em liberdade dentro dos limites das leis naturais e morais.
Não, o capítulo mais longo de Gênesis, com 67 versículos, não trata da criação nem da aliança. Trata-se da primeira e fundamental instituição estabelecida por Deus: o casamento. O capítulo narra a história do servo de Abraão encontrando uma esposa para Isaque. O casamento foi inventado por Deus.
O Dr. Victor P. Hamilton, professor de Antigo Testamento e Teologia na Universidade Asbury de 1971 a 2007, faz a notável observação: “É interessante que o capítulo mais longo de Gênesis seja dedicado à discussão do casamento e não, digamos, à criação do mundo ou à aliança com Abraão.”
O casamento importa
Por que será?
Dennis Prager é um estudioso judeu do hebraico e do Antigo Testamento, comentarista cultural e fundador da Prager University. Em seu comentário “A Bíblia Racional: Gênesis”, Prager explica a compreensão judaica sobre o porquê de o capítulo mais longo de Gênesis tratar do casamento.
Por mais importante que seja a teologia, nem a Torá nem o judaísmo posterior se preocupam com ela. Eles se preocupam com a vida.
A preocupação da Torá é viver uma vida moralmente boa e desfrutá-la. É por isso que, embora a Torá faça alusão à vida após a morte, ela não a discute diretamente. Portanto, faz sentido que a Torá dedique mais tempo ao casamento de um homem do que à criação do mundo. Da perspectiva da Torá, é melhor para um homem casar-se e saber pouco sobre como o mundo foi criado do que nunca casar e saber muito sobre como o mundo foi criado. (Idealmente, ambos deveriam ser feitos.)
De fato, o Mandato da Criação (Gênesis 1:26-28) conecta o casamento e a formação da família com a narrativa da criação. Fomos colocados aqui para sermos fecundos, multiplicarmos e enchermos a terra (formação da família), com o propósito de governar/cuidar da criação.
Gênesis 24 trata do trabalho distributivo da mãe e do pai. A mãe, ou doadora da vida, concebe, gesta, dá à luz e nutre os filhos. O pai cuida da família e da terra para torná-la produtiva. O casamento significa a continuidade da vida; a mulher traz a vida e as futuras gerações de seu corpo, o homem traz a vida da terra para sustentar a família e seu futuro.
A Bíblia é uma história nupcial. 
A importância desse conceito de casamento é confirmada pelo fato de a Bíblia ser nupcial. Começa com o casamento de Adão e Eva e termina com o casamento de Cristo e da Igreja.
A Bíblia ordena o casamento e a formação de família. No mundo pós-moderno, o ar que respiramos é tanto pós-familiar quanto pós-maternal. O pós-familiar reverencia a solteirice e rejeita o compromisso necessário para formar famílias. Essas são realidades dolorosas para muitos hoje em dia.
Além disso, há o pós-maternal e o pós-paternal. Não apenas não estamos formando famílias, como também somos pós-maternal (não temos filhos) e pós-paternal (abandonamos os filhos que ajudamos a conceber). Uma das maiores causas da pobreza global é a ausência paterna, pais que abandonam seus filhos, principalmente os meninos.
Nos mundos moderno e pós-moderno, há pouco conceito de futuro – vivemos apenas no presente. Há pouco ou nenhum conceito de legado familiar. Essas são grandes tragédias.
Você foi feito para a comunidade
Outro ponto a observar no capítulo mais longo de Gênesis encontra-se no versículo 67: “Isaque a levou para a tenda de sua mãe Sara e tomou Rebeca por esposa. Isaque a amava.” Como Dennis Prager destaca:
A primeira referência ao amor na Bíblia está em Gênesis 22:2, quando Deus descreve o amor de Abraão por seu filho Isaque. Esta é a segunda. A primeira descreve o amor entre pais e filhos; a segunda descreve o amor por um cônjuge. Esses são os dois maiores amores da vida, e a Bíblia reflete a ordem cronológica em que ocorrem.

Muitos jovens estão buscando uma rocha sólida, um alicerce firme sobre o qual construir suas vidas.
Esse alicerce não está longe. Na verdade, está bem diante de você. Leia a única narrativa verdadeira. Veja! O criador do universo o fez para a comunidade, e a comunidade mais fundamental é a família! Não tenha medo! Não siga a multidão! Redescubra o Grande Projeto: homem e mulher, feitos à imagem de Deus, com um propósito.
Por Darrow Miller

